terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Vestindo A TEMPESTADE

“A Tempestade” é considerada, tradicionalmente, a última peça de William Shakespeare e sua primeira encenação foi em 1º de novembro de 1611, no Palácio Whitehall, em Londres.

Em entrevista ao New York Times, o diretor canadense Robert Lepage fez algumas revelações: “havia um sentimento  de que os europeus deveriam procurar atingir o estilo e o gosto dos norte americanos da costa - o que foi alcançado através dos motivos indígenas americanos, a exemplo dos trabalhos com penas. Eu tentei imaginar uma pessoa vendo um grupo que eles jamais pensariam existir cercado de coisas que remetessem à magia! 

O personagem Ariel, eu queria construir como alguém que sentisse um espírito angustiado. Então ele se sentiria quase desvestido como em branco, somente - ossos lavados na praia. Suas roupas de harpia nós fizemos à moda antiga com peças em couro, moldadas com cristais colados a mão e pedaços de vidro. 

Os elementos decorativos de Próspero lhe dão os dois lados deste mundo: o mágico, por trás do qual ele é o cientista e o chefe técnico. E um dos melhores efeitos alcançados foi com a sua capa reflexiva que ganha um contorno especial quando jogam-se as luzes sobre ela produzindo o efeito de espelho recortado. 

O personagem Ferdinand foi composto com o que as pessoas realmente usariam. Mas todos os elementos decorativos das roupas, que poderiam ter sido diamantes e pérolas, na realidade, nós fizemos com botões de cristal.  Assim você tem a exata impressão de que os botões são pedras de verdade,  o que por um lado tem grande valor e por outro nem tanto!”

Essa reportagem saiu na revista New York Times e ao mesmo tempo no jornal O Globo aqui no Brasil, em dezembro de 2012. Uma página inteira cobria a conquista para a cultura mineira do batalhador produtor cultural do grupo Galpão, Mauro Maya, que conseguiu com patrocínio da Vale do Rio Doce, aprovar um projeto para construir, até 2016, em Rio Acima, a 30 quilômetros de BH, a primeira unidade fora da Inglaterra, de uma réplica do teatro de Shakespeare, como o original. A inauguração está prevista para 2016, ano em que serão celebrados 400 anos da morte de Shakespeare.

Interessante é lembrar que a primeira vez que assisti “A Tempestade”, na década de oitenta, em férias de janeiro no Rio, foi no parque Lage, que por si já é arquitetonicamente um super cenário, encenada por um jovem e arrojado Miguel Falabella - e nem imaginam a terrível tempestade que despencou sobre o parque Lage naquela noite! Por cima da piscina sobre a qual se encenava a peça, foi armada uma super tenda de lona que foi se enchendo de água da chuva e se transformando numa mega bolha que por fim derramou-se, expulsando público e atores em polvorosa! Inesquecível!



Por Gabriela Ladeira Ferreira Torres. 
Arquiteta urbanista e designer de moda. 

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