Em entrevista ao New York
Times, o diretor canadense Robert Lepage fez algumas revelações: “havia um sentimento de que os europeus deveriam procurar atingir
o estilo e o gosto dos norte americanos da costa - o que foi alcançado através
dos motivos indígenas americanos, a exemplo dos trabalhos com penas. Eu tentei
imaginar uma pessoa vendo um grupo que eles jamais pensariam existir cercado de
coisas que remetessem à magia!
O personagem Ariel, eu queria construir como alguém que sentisse um espírito angustiado. Então ele se sentiria quase desvestido como em branco, somente - ossos lavados na praia. Suas roupas de harpia nós fizemos à moda antiga com peças em couro, moldadas com cristais colados a mão e pedaços de vidro.
Os elementos decorativos de Próspero lhe dão os dois lados deste mundo: o mágico, por trás do qual ele é o cientista e o chefe técnico. E um dos melhores efeitos alcançados foi com a sua capa reflexiva que ganha um contorno especial quando jogam-se as luzes sobre ela produzindo o efeito de espelho recortado.
O
personagem Ferdinand foi composto com o que as pessoas realmente usariam. Mas
todos os elementos decorativos das roupas, que poderiam ter sido diamantes e pérolas,
na realidade, nós fizemos com botões de cristal. Assim você tem a exata impressão de que os
botões são pedras de verdade, o que por
um lado tem grande valor e por outro nem tanto!”
Essa reportagem saiu na revista New York Times
e ao mesmo tempo no jornal O Globo aqui no Brasil, em dezembro de 2012. Uma página
inteira cobria a conquista para a cultura mineira do batalhador produtor
cultural do grupo Galpão, Mauro Maya, que conseguiu com patrocínio da Vale do
Rio Doce, aprovar um projeto para construir, até 2016, em Rio Acima, a 30
quilômetros de BH, a primeira unidade fora da Inglaterra, de uma réplica do teatro
de Shakespeare, como o original. A inauguração está prevista para 2016, ano em
que serão celebrados 400 anos da morte de Shakespeare.
Interessante é lembrar que a primeira vez que
assisti “A Tempestade”, na década de oitenta, em férias de janeiro no Rio, foi
no parque Lage, que por si já é arquitetonicamente um super cenário, encenada
por um jovem e arrojado Miguel Falabella - e nem imaginam a terrível tempestade
que despencou sobre o parque Lage naquela noite! Por cima da piscina sobre a
qual se encenava a peça, foi armada uma super tenda de lona que foi se enchendo
de água da chuva e se transformando numa mega bolha que por fim derramou-se,
expulsando público e atores em polvorosa! Inesquecível!
Por Gabriela Ladeira Ferreira Torres.
Arquiteta urbanista e designer de moda.
Arquiteta urbanista e designer de moda.
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